HISTÓRIA
1919 – Fundação por imigrantes italianos
No início do século XIX, a província de São Pedro do Rio Grande do Sul, atual Rio Grande do Sul, apresentava uma prosperidade econômica que estava relacionada com atividades agropecuárias, às charqueadas e a produção de trigo. A partir do ano de 1824, a província começou a receber muitos imigrantes alemães que se estabeleceram no Vale do Rio dos Sinos, ao receberem pequenos lotes de terras. Passou-se então a ter uma progressiva diminuição da entrada de imigrantes alemães, iniciando assim o incentivo da imigração de italianos que, por sua vez receberam terras na região da Serra Gaúcha e tiveram como único auxílio o pagamento destas terras a crédito.
Os jovens da recém formada cidade de Bento Gonçalves praticavam futebol aos finais de semana, jogando em campos improvisados, terrenos baldios, ou locais cedidos por alguma família, espalhados por diferentes zonas da cidade. A cidade já possuía alguns times amadores, os principais eram São Luiz, Canto-Fura, Liberal e Caramuru. Por serem amadores, estes clubes não tinham consistência para enfrentar igualmente agremiações das cidades vizinhas de Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Alfredo Chaves, Prata e Montenegro. Com a ideia de representar a cidade em competições intermunicipais, Leonardo Carlucci lançou a ideia de fundar um clube que pudesse tomar parte nas competições intermunicipais. A sugestão foi aprovada por todos e foi criado o clube, que a princípio chamava-se "Club Sportivo Bento Gonçalves", afirmando a forte influência italiana.
1919 - 1935 – Formação do clube
Em 24 de agosto de 1919, no Club Alliança, com 33 sócios fundadores reunidos, o Clube Esportivo foi fundado. O primeiro presidente eleito, foi o engenheiro agrônomo, Gastão de Almeida, junto do vice-presidente, Ernesto Lorenzoni. Posteriormente, em 1941, por um equívoco no estatuto, o dia 28 de agosto foi institucionalizado como a data de fundação do time. A inauguração do clube, no dia 21 de setembro de 1919, foi tida como um grande evento na cidade, marcado pelo comparecimento dos associados e vários convidados no ato inaugural. Depois, foram assistir ao primeiro jogo da equipe, enfrentando o Garibaldi. Antes da partida ocorreu a apresentação da banda de Bento Gonçalves. Referente ao jogo entre os clubes de Bento Gonçalves e de Garibaldi não existem muitos relatos, porém sabe-se que a partida terminou empatada em 1–1. O Esportivo estava assim escalado: Pasquetti; Holleben e Salton; Cardoso, Turcato e Enricone; Zanoni, Fedulo, Bissaco, Ross e Ponzoni.
Logo após sua fundação, o Esportivo começou a construir sua trajetória pelo interior do estado do Rio Grande do Sul. Como resultado disso, as agremiações de caráter amador que pertenciam a cidade de Bento Gonçalves acabaram cessando suas atividades, devido ao fato de praticamente todos os jogadores transferiram-se para o Esportivo. O Esportivo em seus primeiros anos de existência realizava muitas excursões para as cidades vizinhas de Garibaldi e Carlos Barbosa. As viagens até o destino das partidas eram realizadas por meio de trem, carroças ou a cavalo. Como os jogadores não recebiam nada pelos seus serviços e nem todos podiam cobrir as despesas de tais viagens, outros jogadores mais favorecidos economicamente e sócios custeavam esses valores. Uma rivalidade grande com equipes de Caxias do Sul foi formada. Os principais adversários eram o Juvenil, Juventude e Americano. Os times caxienses eram mais antigos e possuíam reforços de jogadores estrangeiros, principalmente uruguaios que eram famosos na época. Relatos afirmam que a rivalidade era tanta que muitas vezes as partidas não eram concluídas por confusões geradas dentro do campo de jogo. Porém, ao término do confronto, à noite o time mandante oferecia um baile aos visitantes, onde ocorria uma confraternização.
No ano de 1923, a cidade de Bento Gonçalves recebeu a equipe do Grêmio Foot Ball Porto Alegrense, que enfrentaria o time local. O Esportivo terminou o primeiro tempo vencendo por 2–0 a equipe de Porto Alegre. Entretanto, o Grêmio, comandado por Eurico Lara conseguiu se sobressair na segunda etapa devido ao melhor preparo físico, marcando seis gols e vencendo o jogo pelo placar de 6–2.
1936 - O primeiro escudo
Até 1936, a identidade do Esportivo, dava as caras apenas em suas cores alviazuis. E foi neste ano, que surgiu o primeiro registro de um logo do clube, esse que era predominantemente branco com detalhes azuis, uma silhueta semelhante a brasões de famílias italianas e destaque para as iniciais do clube na época "CSBG". O primeiro escudo também foi a principal inspiração para a silhueta do logo que esteve em vigor dos anos 1970 até 2022. O registro em que o escudo aparece, é de 11 de outubro de 1936, na foto do time campeão da Segunda Região da Zona Nordeste do Campeonato Estadual da Federação Rio-Grandense de Desporto. Nesta imagem, também aparece pela primeira vez, a camisa azul com listras brancas, que se tornaria outro símbolo do clube.
1938 - Primeiro duelo contra o Inter
Em 23 de outubro de 1938, o Esportivo disputou novamente um jogo com outro tradicional clube de Porto Alegre. O Sport Club Internacional, em uma partida marcada por grande festividade, e homenagem do Esportivo presenteando o Internacional com um buquê de flores.[21] Na partida, a equipe do Esportivo obteve uma vantagem de 3–1, porém não resistiu à pressão imposta pelo Internacional, que empatou o jogo em 4–4.
1941 – Primeiro estatuto e inicio da construção do estádio
Em 10 de abril de 1941, o então Club Sportivo, teve o seu primeiro estatuto publicado, na página 14 do Jornal do Estado. O documento foi formulado pelo presidente Erny Hugo Dreher, junto de Alexandre Tesheiner e Nélson Carvalho. Foi essa ata que transformou o Sportivo no Esportivo que conhecemos hoje e que também, por um equivoco, eternizou o dia 28 de agosto de 1919 como a data de fundação do clube, que na verdade, foi fundado quatro dias antes, em 24 de agosto.
No dia 24 de setembro de 1941, o Esportivo deu os primeiros passos para adquirir o próprio estádio. Erny Hugo Dreher enviou um ofício ao então prefeito de Bento Gonçalves, João Dentice, solicitando junto a prefeitura a doação de um terreno para a construção de seu estádio. Primeiramente, o presidente Dreher expôs que há mais de 20 anos já havia solicitado junto à prefeitura um terreno para a prática do futebol pelo clube. Também, disse que o terreno cedido pela prefeitura foi cercado e a infraestrutura melhorada com despesas pagas pelo próprio clube, mas que as melhorias já não se encontram mais em boas condições. Outro ponto destacado pelo presidente do Esportivo foi a solicitação de auxílio financeiro de sete contos e quinhentos mil réis à prefeitura, para uma reforma no campo que já não estava em boas condições, principalmente para prática do futebol.
1942 - 1978 – Finalização do estádio e início das disputas estaduais
No ano seguinte, em 19 de abril de 1942, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo estádio. Enquanto as obras do estádio seguiam, o Esportivo continuava sua caminhada em jogos, já percorrendo todo estado, participando inclusive do campeonato estadual amador.A inauguração do estádio do Esportivo ocorreu três anos depois de iniciadas, em 26 de agosto de 1945. A maior renda vista no estádio do Esportivo, nesta época, foi na data de sua inauguração, em uma partida comemorativa contra o Clube Atlântico da cidade de Erechim. Cerca de quatro mil espectadores estavam presentes gerando uma renda de quase 900 mil cruzeiros, renda recorde no estado naquele período. Os jogadores de ambos os times foram recebidos com fogos, confetes e serpentinas. Dante Marcucci, fundador do Juventude de Caxias do Sul sobrevoou as imediações do estádio com a esquadrilha de aviões do aeroclube de Caxias do Sul. Além disso, clubes do Estado enviaram presentes ao Esportivo, parabenizando o clube pela data. A partida terminou empatada em 0–0. O estádio, denominado Estádio da Montanha, estava localizado em uma área elevada da cidade, onde hoje é o bairro Cidade Alta.
Em 1952, a equipe disputou sua primeira competição profissional, a segunda divisão de 1952, onde foi eliminado na fase de grupos. Na edição seguinte, em 1953, a equipe foi eliminada nas semifinais, após perder para o Montenegro pelo placar agregado de 1–2. Já nas edições de 1954, a equipe foi campeã do torneio da zona leste e classificou-se para a fase final, onde terminou na terceira colocação. Em 1955, não participou de nenhum campeonato. Em 1956 e 1957 a equipe classificou-se para as semifinais e terminou a competição na terceira e quarta colocação, respectivamente.
Entre os anos de 1958 e 1968, a equipe disputou os torneios preliminares da segunda divisão, porém não conseguiu classificar-se para a fase final. Já em 1969, durante o primeiro ano da competição com disputa unificada, sem divisão por regiões, a equipe disputou a primeira fase onde ficou na primeira colocação, tendo conquistado 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Na segunda fase, a equipe venceu o Garibaldi por 9–2, o Lajeadense por 2–0 e o 14 de Julho também por 2–0. Classificado para a final, enfrentou o Avenida, onde na partida de ida, no Estádio dos Eucaliptos, venceu por 1–0. Já na partida de volta, que seria disputada no Estádio da Montanha, a equipe do Avenida anunciou que não iria jogar, alegando que os jogadores estavam de férias e cansados, pois haviam disputado duas partidas em um intervalo de apenas três dias cada uma. Por não comparecer, a Federação Gaúcha de Futebol declara o Esportivo como vencedor da partida por walkover (W.O) e, consequentemente, campeão da segunda divisão de 1969, conquistando uma vaga na divisão especial de 1970.
Em 1970, a equipe disputou pela primeira vez a primeira divisão do Campeonato Gaúcho, onde na primeira fase conquistou 17 pontos, vencendo cinco partidas, empatando sete e perdendo quatro partidas, ficando na quarta colocação e classificando-se para a segunda fase. Durante esta fase, a equipe ficou novamente na quarta colocação, conquistando 23 pontos em 18 jogos, com nove vitórias, cinco empates e quatro derrotas, ficando a frente de outros clubes tradicionais do estado como o Novo Hamburgo e o Pelotas. Entre os anos de 1971 e 1978, a equipe não fez grandes campanhas no Campeonato Gaúcho, terminando na terceira colocação nas edições de 1971 e 1976 e na quarta colocação em 1973 e 1978. Nesta década, a equipe conquistou vitórias importantes sobra a dupla Grenal, contra o Grêmio, onde venceu por 5–2 em 1971, encerrando a sequência de 24 partidas sem derrotas da equipe, e contra o Internacional, onde venceu por 2–1, sendo a primeira equipe do interior gaúcho a vencer no Estádio Beira-Rio.
Entre 1970 e 1991, a equipe disputou a Copa Governador do Estado, na qual foi campeã em três oportunidades. Em 1973, a equipe foi campeã, terminando a competição com 28 pontos conquistados em 19 jogos, tendo 12 vitórias, quatro empates e três derrotas, classificando-se para o Campeonato Gaúcho de 1974. No ano de 1977, a equipe conquistou a Copa Governador do Estado pela segunda vez. Na decisão, enfrentou o Brasil de Pelotas, onde na partida de ida, dia 12 de abril, venceu por 1–0 no Estádio Bento Freitas. Na partida de volta, dia 15 de dezembro no Estádio da Montanha, perdeu por 1–0. Com os resultados iguais, foi necessária a realização de uma terceira partida, a qual foi marcada para o dia 22 de dezembro, em campo neutro, sendo escolhido o Estádio Cristo Rei, em São Leopoldo. Entretanto, a torcida do Brasil derrubou o alambrado do estádio e a partida foi cancelada por falta de segurança. A decisão ficou para o dia 2 de fevereiro de 1978, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, com a presença do governador Sinval Guazzelli, onde o Esportivo venceu por 3–0 e ficou com o título.
O grande responsável pela consolidação e fase vitoriosa do Esportivo na primeira metade dos anos 1970, foi Ênio Andrade, que se tornaria um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro posteriormente, sendo campeão brasileiro com Inter e Grêmio. Ênio comandou o Alviazul entre 1971-1974, em 165 jogos oficiais, sendo o segundo que mais esteve a frente do Tivo, atrás apenas de Chiquinho e o com maior número de vitórias pelo Esportivo. Conquistou o título do interior, em 1971 e a Copa Governador do Estado, em 1973.
Com a saída de Ênio para o Grêmio no final de 1974, o Esportivo trouxe outro grande nome do futebol brasileiro para substitui-lo: Carlos Froner, que deixou o clube antes mesmo de estrear oficialmente, para assumir o Santa Cruz. Pedro Figueiró assumiu o lugar de Froner, durando apenas oito jogos e sendo substituido por Kim Martha, que esteve no comando até o final de 1975. Em 76, Chiquinho, o técnico que mais treinou o Esportivo, assumiu o clube em sua primeira passagem, conquistando mais um título do interior e mais uma Copa Governador para o Alviazul
1979 – O Ano do Alviazul
Na edição de 1979, a equipe fez a melhor campanha da sua história no Campeonato Gaúcho. Na primeira fase, após 38 partidas, a equipe terminou com 49 pontos e 17 vitórias, 15 empates e apenas seis derrotas, classificando-se para a fase final. Nesta fase, a equipe conquistou 17 pontos e foi vice-campeã do Campeonato Gaúcho, terminando o campeonato a frende de equipes tradicionais, como o Internacional e Juventude. Com a conquista, a equipe teria direito de disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, porém, segundo anunciado pela Federação Gaúcha de Futebol, a equipe não teria um estádio adequado para a disputa da primeira divisão.
O presidente do maior ano da história do Alviazul foi Odorico Vani. E este ano começou de forma inusitada, em janeiro, com a indenfinição do comando técnico, a diretoria do Esportivo pretendia se deslocar até Florianópolis para fechar a contratação do treinador Carlos Gainette. Porém, o homem que mudaria para sempre a história do Esportivo, estava um pouco mais ao sul no litoral, já que a direção parou em Tramandaí, onde parte do elenco do Tivo curtia o veraneio, entre os jogadores, estava um experiente lateral: Valdir Espinosa, que já pretendia pendurar as chuteiras. Foi então, que em um momento de bebedeira, a diretoria convenceu Espinosa a largar os gramados e assumir o comando técnico do Esportivo.
Espinosa enfrentou dificuldades e uma série de derrotas no começo do campeonato, mas deu a volta por cima e tornou-se vice-campeão do estado. Ainda em 1979, o Esportivo revelou um dos maiores jogadores do futebol brasileiro: Renato Portaluppi. Natural de Guaporé (RS), Renato vivia em Bento desde a infância. Foi descoberto em um jogo da fábrica de móveis onde trabalhava e passou a integrar as categorias de base do Esportivo. Trabalhava durante a semana e treinava nos fins de semana. Raquete, jogador que fez parte do elenco de 1979, relembra que Renato chamou atenção de Valdir Espinosa nos treinamentos. As vésperas de um jogo contra o Grêmio, o Esportivo estava desfalcado e após uma conversa entre Espinosa e as lideranças do elenco, Renato foi relacionado e viajou junto para o jogo em Porto Alegre, conseguindo demonstrar um bom futebol, dentro dos limites, assim estreando, com 16 anos, na partida entre Grêmio 3x0 Esportivo, em 16 de agosto de 1979. Posteriormente, Espinosa levou Renato para o Grêmio, em 1980. Três anos depois, ambos foram campeões da Libertadores e do Mundo no clube da capital.
Partida conhecida como "Jogo da Neve", entre Esportivo e Grêmio.
No dia 30 de maio de 1979, ocorreu um jogo histórico no futebol brasileiro. O Esportivo enfrentou o Grêmio na Montanha, num jogo disputado com muita neve, numa temperatura que chegou a -2 °C. Pessoas que filmavam a partida aproveitaram para fazer tomadas deste jogo histórico. A partida terminou em 0–0 e foi batizada como "O Jogo da Neve". O ex-jogador Raquete, relata que diversos atletas tomaram conhaque antes do jogo para se aquecerem.
E fechando a cereja do bolo do grande ano de 1979, foi neste ano que iniciaram-se as obras do novo estádio do Esportivo, que anos mais tarde, tornaria-se o Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos. CLIQUE AQUI E VEJA TODA HISTÓRIA DO NOSSO ESTÁDIO.
1980 – 1987: A Hegemonia no Interior e as Conquistas Estaduais
A década de 1980 começou com a confirmação da força alviazul no cenário gaúcho. Em 1980, o Esportivo sagrou-se tricampeão da Copa Governador do Estado ao vencer o Pelotas por 2 a 0 em uma tarde inesquecível no Estádio da Montanha. Dois anos depois, em 1982, o clube ergueu a taça da Copa RS (atual Copa FGF) ao superar o rival Caxias na caminhada e selar o título em 17 de julho com a vitória por 1 a 0 sobre o Internacional de Santa Maria, novamente na Montanha.
A sequência vitoriosa continuou em 1983 com a conquista da Copa ACEG. Na grande decisão contra o Novo Hamburgo, o Esportivo venceu o primeiro jogo em casa por 1 a 0 e garantiu a taça com um empate em 1 a 1 no Vale do Sinos. Tratava-se do sexto título oficial do Esportivo em um intervalo de apenas dez anos, feito que consolidou o Alviazul como uma das maiores potências do interior do Rio Grande do Sul nas décadas de 70 e 80. Essa hegemonia foi chancelada com a conquista de seis títulos do Campeonato do Interior Gaúcho (1970, 1971, 1976, 1979, 1982 e 1987), uma das distinções mais cobiçadas do futebol do estado na época. O período também marcou as primeiras participações do clube na Série B do Campeonato Brasileiro, nos anos de 1983 e 1987.
Nos anos 1980, o volante Adenor Bacchi, o Tite, vestiu as cores do Alviazul, nos anos de 1983 e 1989, quando se aposentou do futebol.
1988 – 1999: Projeção Nacional e o Bicampeonato de Acesso
Ao longo dos anos 1980 e 1990, o Esportivo manteve presença constante no cenário nacional, acumulando participações na Série B e na Série C do Campeonato Brasileiro. A garra alviazul se provou decisiva na temporada de 1999, ano que marcou a volta por cima do clube no futebol gaúcho.
Com uma campanha irretocável na primeira fase, com nove vitórias em 14 jogos, o Tivo avançou ao quadrangular final da Segunda Divisão. Dominando a fase decisiva com cinco vitórias em seis partidas, o Esportivo sagrou-se Bicampeão da Segunda Divisão Gaúcha, garantindo com autoridade o seu retorno à elite do futebol estadual.
2004 – 2005: A Nova Casa, a Taça da Copa FGF e o Maracanã
O ano de 2004 ficou marcado como um dos mais gloriosos da história do clube. No dia 29 de fevereiro de 2004, o Esportivo inaugurava o Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos. O jogo festivo contra o Pelotas terminou em vitória alviazul por 2 a 0, com o atacante Ernestina registrando o histórico primeiro gol do novo templo. À época, a Montanha dos Vinhedos despontava como o terceiro estádio mais moderno do Rio Grande do Sul, fruto de um sonho comunitário construído ao longo de duas décadas.
Celebrando a nova casa, o Esportivo fez uma campanha avassaladora na primeira edição da Copa FGF em 2004. Após liderar a primeira fase com sete vitórias em oito jogos, o Tivo aplicou uma goleada por 6 a 0 sobre o Farroupilha nas quartas e eliminou o Caxias na semifinal. Na grande final contra o Gaúcho, o Esportivo venceu o jogo de ida por 3 a 0 na Montanha dos Vinhedos e confirmou a conquista com um 2 a 0 em Passo Fundo.
O título da Copa FGF garantiu a vaga inédita na Copa do Brasil de 2005. Na competição nacional, após eliminar o Londrina na primeira fase, o Esportivo viveu um momento memorável ao enfrentar o Fluminense na segunda fase, fazendo sua estreia no gramado do Estádio do Maracanã, o templo do futebol mundial.
2007: A Maior Campanha Nacional da História Alviazul
Na Série C do Campeonato Brasileiro de 2007, o Esportivo escreveu o capítulo mais expressivo de sua trajetória em competições nacionais. Na primeira fase, o clube avançou na segunda colocação em um grupo disputado ao lado de Caxias, Joinville e Maringá.
Na segunda fase, o Tivo deu um show de desempenho: liderou a chave que contava com Bragantino, Democrata e Roma Apucarana, conquistando a classificação com autoridade. O Esportivo encerrou a competição na terceira fase, registrando oficialmente a melhor campanha da história do clube em Campeonatos Brasileiros.
2012: A "Polenta Mecânica" e o Tricampeonato da Divisão de Acesso
A temporada de 2012 entrou para a história pelo futebol envolvente e avassalador apresentado pelo time, que ganhou carinhosamente do torcedor e da imprensa o apelido de "Polenta Mecânica".
Liderando todas as fases da Divisão de Acesso com amplo domínio, o Esportivo, comandado por Luiz Carlos Winck, chegou à grande final contra o Passo Fundo. Após vencer a partida de ida fora de casa por 2 a 1, o Alviazul empatou em 1 a 1 diante de sua torcida no Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos, erguendo com orgulho o Tricampeonato da Divisão de Acesso e selando o retorno em grande estilo à Primeira Divisão do Gauchão.
Os números do Esportivo naquela temporada foram avassaladores: 36 jogos, 20 vitórias, 10 empates e 6 derrotas, com 57 gols marcados e 31 sofridos. Fábio Oliveira foi o jogador que mais entrou em campo, disputando 34 partidas. O artilheiro foi o meia Rafael Bittencourt, com 11 gols, seguido do atacante Cassiano, que fez oito gols e foi direto para o Internacional. No ano seguinte, em 2013, novamente comandado por Winck, o Esportivo garantiu a permanência na elite do Gauchão.
2019 – 2021: O Retorno à Elite, o Título do Interior e a Projeção Nacional
Após anos de reconstrução, o Esportivo confirmou o retorno à elite do futebol gaúcho com o vice-campeonato da Divisão de Acesso em 2019. O auge desse processo veio em 2020: o Alviazul sagrou-se Campeão do Interior Gaúcho, conquista que garantiu ao clube os passaportes para a Copa do Brasil e para o Campeonato Brasileiro da Série D de 2021.
Na Série D de 2021, o Esportivo demonstrou sua força em âmbito nacional. Após avançar na fase de grupos ao lado de equipes tradicionais do sul do país, o Tivo protagonizou um confronto épico contra o Santo André no mata-mata: após revés no jogo de ida, buscou a vitória fora de casa e garantiu a classificação para as oitavas de final nos pênaltis, consolidando uma campanha de orgulho para Bento Gonçalves.
2022: Identidade Renovada e o Tetracampeonato da A2
O ano de 2022 trouxe marcos dentro e fora de campo. Sob a liderança da diretoria e com o retorno do técnico Carlos Moraes, o clube tomou uma decisão histórica ao renovar sua identidade visual. O novo escudo passou a ostentar a silhueta de uma taça de vinho, homenageando Bento Gonçalves como a Capital Nacional do Vinho e aproximando ainda mais a comunidade da equipe.
A resposta no gramado foi imediata. Com uma campanha sólida, o Esportivo superou o Lajeadense nas semifinais e garantiu o acesso à elite. Na grande decisão, o Alviazul venceu o Avenida e conquistou o Tetracampeonato da Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho, reafirmando a grandeza do Clube Esportivo Bento Gonçalves no cenário estadual.


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